Design X Design Thinking
A EnterDesign tem como um de seus valores o conceito atualmente difundido como Design Thinking. Este conceito é pautado principalmente em utilizar o método dos designers para a análise de problemas e desenvolvimento de soluções.
Criado pela IDEO do premiado e influente Tim Brown, o conceito do Design Thinking já existia muito antes de sua criação. Desde que o Design passou a ser reconhecido como uma profissão, na escola alemã Bauhaus, entre 1919 to 1933 (Bauhaus, em alemão significa “Casa de construção”), teve como objetivo a simplificação de complexidades utilizando a tecnologia e o conhecimento disponível, visando o bem estar social e, consequentemente, a evolução da sociedade. Esta é também a definição exata de Design Thinking segundo a IDEO.
O Design Thinking resgatou esta compreensão da função original do design. O uso da palavra Design se tornou evasiva e banalizada sendo largamente utilizada por diversos segmentos do mercado sem conotação real de design. A sociedade passou a entender e a interpretar Design apenas como algo moderno e refinado, o que não necessariamente é simplificar complexidades.
Até no mercado de programação visual, a palavra Design se perdeu da sua ideia original de resolução de problemas através da simplificação. Com a facilidade de se desenhar e compor arte no computador designers passaram a competir com profissionais independentes sem a formação adequada ou até com a iniciativa do próprio cliente. E no caso do cliente optar em trabalhar com um designer, é comum já apresentar a solução que acredita que vai resolver seus problemas contratando o profissional apenas para finalizar a arte. O pior é que no caso desta solução não surtir o efeito pretendido, é comum o cliente creditar o fracasso ao designer que nem sequer participou do processo de análise do problema e construção da solução.
O Design Thinking é orientado às inovações. Inovar é explorar uma ideia criativa que soluciona um problema e/ou tira proveito de uma oportunidade. É a criatividade aplicada à criação de novos serviços, produtos, soluções, processos, ideias que tragam mais benefícios para uma parte ou para a sociedade como um todo.
E como é que o Design ou Design Thinking aborda os problemas e chega em soluções inovadoras? É simples, através de muito trabalho e tempo. A resposta é simples, mas o processo não. Podemos resumir dizendo que o trabalho de design consiste em pesquisa (entender o problema, as necessidades e a situação), imaginação (interpretar as informações obtidas na pesquisa, criar possíveis soluções e testar alternativas), colaborativismo (dividir informações, fazer brainstorm, trocar com a comunidade, criação colaborativa) e prototipagem (testar potenciais soluções com constante monitoramento procurando evoluir – ou até inovar – satisfazendo as necessidades das pessoas que irão utilizar o produto em questão). É trabalhoso, mas o processo é desafiador, divertido e muito iluminador. É como se voltássemos a ser um bebê nos primeiros anos de vida descobrindo coisas novas e tentando entender o que, o porquê e como.
Design Thinking é pensar a frente. Prever um problema que ainda não existe ou que ainda não é percebido como um problema. Melhorar a qualidade de vida das pessoas. Design Thinking é um investimento para criar novas regras que podem moldar o futuro da sociedade, quebrando paradigmas e criando novas formas de encarar velhos problemas. No sentido comercial, é o caminho para se tornar líder de mercado e referência para outras empresas.
Utilizar os conceitos e processos do Design Thinking tem se mostrando altamente benéfico para diversas empresas do mercado. Um exemplo forte é o da Proctor & Gamble. Segundo o livro “Design de Negócios” do Autor Roger Martin, quando a P&G entrou em crise em meados dos anos 80 e viu suas ações despencarem, seu conselho administrativo demitiu toda a diretoria e promoveu como novo CEO um prestigiado técnico da empresa. Era uma medida desesperada de cortar custos e, quem sabe, salvar a empresa. Pressionado, o novo CEO sabia que somente o design poderia salvá-la. Aplicou a ideia em seus departamentos, mudou os processos da empresa e incentivou a criação colaborativa em todos os setores. Em menos de 10 anos a empresa voltou a ter suas ações muito valorizadas no mercado financeiro, se tornou ainda mais forte e voltou a ser líder do Mercado, posição que ocupa até hoje.
Muitas empresas gostariam de diminuir os processos burocráticos e adotar o Design Thinking para a reformulação de seus processos. No entanto, mesmo com cases de sucesso como o da P&G, não o fazem por receio do desconhecido. Medo do risco de mudar no time que está ganhando. Porém, muitas vezes é preciso mudar para se manter no topo. Por o Design Thinking alinhar a hierarquia e depender da colaboração de todos da área que vão trabalhar e criar juntos, a liderança tem receio de perder sua posição. Ao contrário do processo linear de trabalho, em que uma área solicita algo para uma outra área, Design Thinking acredita numa organização biológica e transparente. Infelizmente, as grandes corporações só adotam ideais inovadoras quando quase tudo está perdido, como foi no caso da P&G.
Esse conceito obriga as empresas a saírem da zona de conforto, pois o aprofundamento deixa de ser apenas com pesquisas qualitativas e quantitativas. Exige a utilização de novas técnicas, por isso, o Design Thinking nos obriga a “pensar fora da caixa”.
Com o Design Thinking são desenvolvidos estudos baseados no comportamento das pessoas e a interação com elas, atividade facilitada nos dias atuais pela internet e as mídias sociais. Sabendo o que a sociedade precisa e tendo facilidade de troca com ela, atender necessidades se torna menos complicado.
O aumento da busca por desenvolvimento de projetos com Design Thinking se dá pela disseminação do conceito no mercado internacional, além da inviabilidade de inovar utilizando as técnicas tradicionais. O Brasil sempre foi referência mundial em cultura e criatividade, mas, além disso, é hoje a sexta potência econômica do mundo e é o pais que mais utiliza as mídias sociais. O Brasil hoje vive um importante momento, no qual todos nós podemos fazer parte disso.
Vamos fazer isso juntos através do Design Thinking?
Por: Mauricio Abrahão, Líder de Criação na EnterDesign
Revisão e Colaboração:
Pedro Wolff, Sócio-Diretor da EnterDesign
Mariana Kulnig, Pleno em Marketing na EnterDesign
Fernanda Moura, Estagiária em Comunicação na EnterDesign